Às dezoito e trinta da véspera de Natal, o meu marido ligou dezassete vezes em doze minutos. Eu olhei para o nome dele a acender no ecrã do telemóvel, ouvi o aparelho a vibrar em cima do balcão da cozinha e deixei todas as chamadas caírem no voicemail. O curioso é que eu não estava escondida. Estava sentada em casa, vestida com um moletom cinzento velho, a beber café numa caneca de Natal que tinha desde 2008.

Pela primeira vez em vinte e sete anos, não estava em casa da minha sogra e não tinha pago o Natal, nem o jantar, nem as compras, nem as sobremesas, nem sequer os enfeites ridículos de festa que a Azira insistia que toda a gente precisava. Simplesmente tinha ficado em casa. Chamo-me Serena Albuquerque, tenho cinquenta e dois anos e, até àquele Natal, passei a maior parte da minha vida adulta a acreditar que manter uma família unida significava tornar-me útil. O meu marido, Vicente, provavelmente diria que eu era difícil.
A mãe dele diria que eu era ingrata. A irmã dele, a Márcia, diria que eu era sensível demais. E, de alguma forma, em todos os natais, eu era a responsável por estragar tudo. Não importava o que realmente acontecesse.
Se o peru ficasse seco, eu deveria ter verificado. Se o peru atrasasse, eu deveria ter encomendado outro. Se alguém reclamasse da disposição dos lugares, eu deveria ter planeado melhor. Se um dos irmãos do Vicente bebesse demais e começasse a discutir política, de alguma maneira eu deveria ter impedido.
Eu era casada com o Vicente há vinte e sete anos. Morávamos num bairro tranquilo nos arredores de Campinas, no interior de São Paulo, onde os vizinhos enfeitavam as casas com Pais Natais insufláveis e se queixavam do preço dos ovos no supermercado. Era uma vida comum. Durante anos, gostei disso.
Gostava de fazer o jantar de Natal. Gostava de ver toda a gente a abrir os presentes. Gostava de ver os meus sobrinhos e sobrinhas a correr pela casa da Azira com restos de papel de embrulho colados nas meias. O que eu não gostava era de ser tratada como se tudo aquilo acontecesse porque eu devia alguma coisa a eles.
O Natal anterior tinha sido o pior. Passei três dias a preparar comida. Encomendei um peru recheado numa casa de carnes da região. Fui buscar tartes a uma confeitaria de Jundiaí.
Comprei vinho, embrulhei trinta e dois presentes e levei duas mesas dobráveis da nossa garagem, porque a Azira se tinha esquecido de alugar. Depois do jantar, a Azira olhou em volta da sala e franziu o sobrolho. As batatas estão frias. Olhei para a travessa.
Estão aí há vinte minutos. A Márcia riu. Mãe, não comece. A Azira olhou diretamente para mim.
Estou só a dizer. O Natal costumava ser mais especial. O Vicente deu um gole na cerveja e encolheu os ombros. A Serena fica stressada.
Deve ser por isso. Lembro-me de o ter olhado de frente. Fico stressada? Ele sorriu como se eu estivesse a fazer um cenário.
Percebes o que quero dizer? Percebia. Queria dizer que eu era a responsável. Era sempre isso que ele queria dizer.
Mais tarde, quando chegámos a casa, perguntei-lhe se ele não podia ter ficado do meu lado. Ele tirou os sapatos e atirou-os para o lado do sofá. Porque ela é a minha mãe. E eu sou a tua esposa.
Ele suspirou. Serena, será que podemos não fazer isto esta noite? Aquela frase tinha-se tornado uma espécie de pontuação no nosso casamento. Será que podemos não fazer isto?
Será que podemos não falar da tua mãe? Será que podemos não falar de dinheiro? Será que podemos não falar de tudo o que eu faço? Será que podemos não falar de como ninguém me agradece?
Subi as escadas sozinha. Na manhã seguinte, encontrei uma mensagem da Márcia. No próximo ano, talvez possas tornar as coisas mais simples. Sem obrigada, sem feliz Natal, só crítica.
Em outubro, eu já tinha começado a fazer planos para o Natal seguinte. Os hábitos antigos são difíceis de matar. Então, numa noite de novembro, o Vicente chegou a casa e anunciou que a família queria o Natal novamente em casa da Azira. Eu estava no balcão da cozinha a organizar faturas.
Está bem, disse eu. Ele abriu o frigorífico. A minha mãe disse que não precisas de fazer tanto este ano. Virei-me.
Isso parece bom. Ele fechou o frigorífico. Acha que talvez toda a gente devesse ajudar. Sorri.
Ainda melhor. Ele pareceu desconfortável e depois disse, com sinceridade: Serena, talvez seja melhor ficares em casa este ano. Parei de arrumar as faturas. Porquê?
Ele esfregou a nuca. Porque ficas sempre chateada. E depois toda a gente fica desconfortável. Olhei para ele.
Estás a dizer que eu estragou o Natal? Ele não respondeu. Não precisava. Uma semana depois, a Azira disse quase a mesma coisa ao almoço de domingo.
Talvez possamos ter um Natal sossegado este ano. A Márcia olhou para mim. Ninguém disse nada. Percebi.
Eles queriam um Natal sem mim. Está bem. Podiam ter. Na véspera de Natal, acordei às seis e meia, como fazia todos os anos, mas em vez de ir para a cozinha preparar o peru, fiz café, sentei-me à mesa e fiquei ali sentada.
Sem presunto, sem cheiro a canela, sem tarefas. Quando o sol nasceu, fui à janela e reparei que a nossa rua estava estranhamente calma. Os vizinhos da frente ainda estavam a pendurar luzes. Na casa ao lado, o filho de dez anos do casal estava no passeio a tentar andar de bicicleta sem mãos.
A meio da tarde, o meu telemóvel tocou de novo. O nome do Vicente acendeu no ecrã. Depois o da Azira. Depois o da Márcia.
Deixei-os a tocar. Às três horas, desliguei o som. Às quatro, carreguei o telemóvel no quarto e fechei a porta. Às cinco e meia, fiquei surpreendida ao verificar que não estava triste.
Estava calma. Pela primeira vez em muitos anos, a casa estava silenciosa, e eu não sentia falta de mais ninguém. Ao anoitecer, mandei uma mensagem curta ao Vicente. Estou bem.
Não me esperes para jantar. Ele respondeu imediatamente. Isto é ridículo. A minha mãe está a chorar.
Não respondi. Às vinte e duas horas, ele ligou dezassete vezes enquanto eu tomava o meu café. Eu deixei tocar. Sentia-me estranhamente livre.
Talvez fosse isso que estava a gritar dentro de mim: liberdade. Na manhã seguinte, quando me viu na cozinha, ele evitou o meu olhar durante um longo tempo. Finalmente, perguntou, com uma voz mais seca do que eu esperava: Então, é isto que querias? Levantei os olhos do meu chá.
Sim, acho que é. Atravessou a cozinha e abriu o frigorífico. Estás a fazer uma tempestade num copo de água. É só o Natal.
Eu aqueci as mãos na caneca. Não é o Natal, Vicente. É tudo. Que tudo?
Ele fechou o frigorífico com força. Eu trabalho todos os dias para sustentar esta casa. É isso que tu chamas de nada? Sustentar?
Eu também trabalho. Limpo a casa. Cozinho. Crio a nossa filha.
Cuido da tua mãe. Faço as compras. Faço as tuas refeições. Ele tinha aberto a boca para responder, mas eu não deixei.
Estou cansada. De ser útil. De ser boa. De não custar.
De ser invisível quando todo o mundo faz de conta que eu não estou lá. Os olhos dele endureceram. Isto é sobre a minha mãe. Isto é sobre o facto de que já não quero continuar a fazer isto.
Passámos semanas a resolver o assunto. Eu disse-lhe que ia passar o Natal sozinha no próximo ano. Ele disse que eu estava a exagerar. Eu disse que preferia passar sozinha do que ser tratada como uma criada.
Ele disse que a família dele gostava de mim. Eu ri. Ele perguntou se eu estava feliz. Eu não respondi.
Ele disse que os vizinhos perguntavam por mim. Respondi que os vizinhos podiam ir à casa da Azira. No dia em que ele me questionou sobre o almoço de domingo, a minha sogra ligou-me diretamente. Estiveste muito malcriada.
Estive, não estive? É Natal. Azira respirou fundo. Eu sei que o meu filho é difícil.
Mas é a família. Nós estamos a falar da família. Eu olhei para o vazio cheio das minhas malas. Azira, tenho cinquenta e dois anos.
Estou cansada de ser a única que cede. E a minha família, onde está? A da Serena. A linha ficou em silêncio.
Depois ela disse, baixo: Nós precisamos de ti. Não precisam. Nunca precisaram. Só precisavam que eu aparecesse.
Desligou. O dinheiro foi a segunda perda. Desta vez, não foi nos talões de cheques nem nos extratos. Quando fui à agência, três semanas depois do Natal, a funcionária olhou para o computador e franziu o sobrolho.
A Sra. Albuquerque, a sua conta está a indicar dois levantamentos que não reconheço. Senti o estômago gelado. Que levantamentos?
Apontou para o ecrã. Comerciante: Churrascaria Boi na Brasa. Data: vinte e quatro de dezembro, vinte e três e quarenta. Valor: R$ 860.
Abanei a cabeça. Não. Eu estava em casa no dia vinte e quatro. Ela olhou-me com simpatia.
Acha que o seu cartão foi clonado? Quando saí do banco, o meu telemóvel tocou. Era o Vicente. Não atendi.
Era a Karen do restaurante Grill de Jundiaí. Atendi. Alô. Serena?
Aqui é a Karen do Grill de Jundiaí. Está tudo bem? Fiquei preocupada quando vi a sua reclamação no site. Pisquei.
Eu não reclamei de nada. Que reclamação? Ah. Ela hesitou.
É que apareceu uma avaliação de uma estrela sobre o peru do almoço de Natal. Diz que estava seco, que o serviço era péssimo e que a senhora nunca mais volta lá. Como foi só um peru, e não uma refeição completa para trinta pessoas, achei estranho. Senti o chão a fugir-me debaixo dos pés.
A avaliação saiu da minha conta? Bem, foi a primeira vez que a senhora fez uma avaliação connosco. Usei o seu cartão de fidelidade para confirmar, e apareceu aí o seu contacto. Quando o Vicente chegou a casa, eu tinha o telemóvel na mão.
Ele viu a minha cara e parou. O que foi agora? Eu mostrei-lhe o ecrã. Quando deste conta que estavam a usar o meu cartão?
Ele corou. Do que é que estás a falar? Avaliação no Grill. Cancelada e depois recriada.
Levantamento na churrascaria. Não sou eu, Vicente. É a minha conta. Ele desviou o olhar.
Foi a Márcia. A quê? A Márcia. Noite de Natal, quando foste comprar gelo, ela disse que o jantar estava uma merda e que tu eras um lixo a cozinhar.
Eu disse-lhe para se calar. Mas ela pegou no teu cartão e fez aquilo. A sala começou a andar à volta. A tua irmã fez uma avaliação falsa com o meu cartão?
E tu não disseste nada? Ele encolheu os ombros. Ela é a minha irmã. Sentei-me no sofá.
O peso das últimas semanas caiu-me em cima. Vicente, isto é mais do que uma discussão. Ela usou os meus dados para me humilhar publicamente. E tu deixaste andar.
Ele suspirou, irritado. Não deixei andar nada. É só uma conversa. Ela não quis dizer o que disse.
Ia acontecer o quê? Ias fazer queixa da minha irmã? Vou. Ele olhou para mim como se eu estivesse a falar de outra língua.
O quê? Vou apresentar queixa. Isto é crime. Uso indesejado de cartão.
Ele riu, sem humor. Ela é família, Serena. E eu sou a tua esposa. Ficámos em silêncio.
Foram três os detalhes que eu gravei mentalmente enquanto ele tentava convencer-me a não o fazer. Primeiro: ele nunca disse para desculpar. Segundo: ele nunca perguntou como é que eu estava. Terceiro: ele já tinha limpado o histórico do telemóvel duas vezes nos últimos meses, e eu nunca tinha usado o anel de casamento para essas coisas.
Ou seja, foi isto. Nos dias seguintes, tentei descobrir a verdadeira extensão daquilo. Fui às contas. Encontrei uma entrada de R$1.
500 de um restaurante chamado Outra Sinal, que eu nunca tinha visto. Fui ao banco e, com o histórico, percebi que ao longo dos últimos seis meses, tenho vindo a financiar as saídas de terceiros sem saber. Um conjunto de ingressos para um jogo do Corinthians, R$2. 190.
Uma noite de sábado no restaurante, R$800. Uma reserva num hotel em Jundiaí, R$1. 200. Tudo girando na nossa conta conjunta, o que não fazia sentido, porque eu recebia e administrava o dinheiro há anos.
Liguei ao Vicente ao meio-dia. Ele atendeu baixo, como se estivesse numa reunião. Podemos falar? Vai para a rua.
Assim que saiu, disse: O que é a Outra Sinal? Ouvi pela primeira vez, e não era só tempo. Ouvi na voz dele a hesitação dele a tentar encontrar uma desculpa. É um restaurante.
Conheces? Vais buscar a conta. Que restaurante é esse? Nunca ouvi falar.
Eu soube que ele estava a mentir. É isso que tu vais fazer agora? Passar-me para o vazio? Responder a esta merda.
Ele exalou. Serena, está a acontecer alguma coisa contigo. Estás sempre a insistir no mesmo assunto. Só digo que o cansaço se acumula e começas a ver coisas que não existem.
Vês-me na peça de arte? Ele ficou em silêncio. Vicente. Não vou aguentar isto.
Isto é mais do que a Márcia. Isto é o teu esconderijo. Ele disse, baixo e rápido: Eu não tenho de te explicar as minhas contas. És meu marido.
São contas partilhadas. Ele riu do lado de lá. Desde quando é que isto é partilhado? Tu és dona do dinheiro, Serena.
Sempre foste. A linha caiu. Fiquei parada com o telemóvel na mão, mas a verdade é que eu já não estava a ouvir. As palavras dele ficaram na sala comigo.
Tu és dona do dinheiro. Não. Ele não me conseguiu responder. Nessa noite, liguei à minha irmã mais nova.
Ela ouviu tudo em silêncio. Quando acabei, perguntou: Sabes o que eu acho? Não é sobre a Márcia. É sobre ele.
Ele está a fazer chão. Então, o que é que faço? Ela demorou a responder. Vais precisar de escolher o que é que mais dói: a vergonha ou a liberdade.
Na manhã seguinte, fui à agência e cancelei o cartão. Mudei as palavras-passe de todas as contas. A partir de Outra Sinal, recebi uma confirmação por e-mail com o valor de R$1. 500.
O anexo era um recibo da comemoração de aniversário de um amigo do Vicente. Não era de nenhum amigo. Ele usava Outra Sinal como ponto de encontro há meses. A conta estava no nome dele.
As faturas chegaram a casa. As datas coincidiam com os dias em que ele dizia que ia dormir cedo. Quando lhe mostrei o e-mail naquela noite, ele olhou para mim como quem olha para uma estranha. Quem te deu isto?
É a prova da tua traição, Vicente. Não com outra pessoa. A traição de viveres por cima das tuas possibilidades e deixares que eu pague. Isto não é traição.
Isto é a minha vida. Então devias ter essa vida com outra pessoa. Porque comigo, não vais. Ele riu.
Vais deixar-me por isto? Não estou a deixar-te. Já deixaste ir para a casa da mãe e ficaste no sofá. Só fazes isso quando queres uma fuga.
Não me dás qualquer valor, e quando comecei a ver isso, perguntaste-me se eu era feliz. Então respondo-te: não, não sou feliz. Não sou feliz há mais tempo do que consigo admitir. Ele aproximou-se.
E a casa? E a vida que nós construímos? Eu construí. Tu usaste.
Há diferença. Mudou de tática. A tua filha. Baixei os olhos por um momento.
A nossa filha tem vinte e um anos. Não és tu que vais usar isso como moeda de troca. A discussão prolongou-se até de madrugada. Ele implorou, depois ameaçou, depois tentou persuadir.
Por fim, cansado, sentou-se na ponta da cama. Não posso voltar atrás no tempo, Serena. Eu sei. Nenhum de nós pode.
Três dias depois, pedi o divórcio. Ele disse que não. Eu respondi que não lhe dava escolha. Ele disse que os filhos iam sofrer.
Eu respondi que os filhos já deviam ter sofrido há muito tempo. Dois meses depois, assinámos os papéis. Mas antes de assinar, fiz uma última coisa: liguei para a Márcia. Ela atendeu, com a voz sorridente.
Oh, Serena. Então, o Natal chegou mais cedo? Eu disse: a tua avaliação no Grill, Márcia. Era falsa e tu sabes.
Da outra ponta veio um silêncio. Depois, ela riu. Isto é um exagero. Não é.
Fiz queixa. Nesta altura, a polícia já deve ter recebido. A Márcia ficou em silhar. Eu não disse nada de mais.
Usaste o meu cartão sem permissão. É crime. E tu és a pior cópia da tua mãe, porque ela também nunca me aceitou, mas pelo menos nunca roubou nada. Ela desligou.
Não voltei a falar com ela. Paguei as dívidas que eram minhas, metade das deles. Não foi por bondade. Foi para não deixar contas por pagar com o meu nome.
Quando o processo terminou, vendi a casa, dividi o dinheiro e arranjei um apartamento pequeno perto de um parque. Voltei a caminhar todas as manhãs. Voltei a ler os livros que adiava. Voltei a cozinhar para mim, sem medir porções, sem agradar a paladares de terceiros.
Três meses depois, recebi uma carta do escritório do Vincente. Falava da mediação do processo, dos bens, de pormenores administrativos. No fundo, escritos à mão, num papel destacado: “Serena, lamento imenso. Sempre foste tudo o que eu tinha.
Eras tu e eu. Podes não acreditar, mas é verdade. ”
Recolhi a carta. Dobrei-a.
Coloquei-a na gaveta onde guardava as restantes coisas que não queria ver. Nessa noite, houve nova notícia. A rua estava em silêncio. As luzes da varanda dos vizinhos brilhavam através da chuva.
E, do outro lado da cidade, na casa da minha sogra, a azira também estaria por ali. Mas eu não estava preocupada. No ano seguinte, fiz um convite aos meus pais. Vinham eles cá a casa, sem presunto, sem peru, sem obrigações.
A minha mãe trouxe arroz de forno com batata palha. O meu pai trouxe vinho. Ficámos a conversar até tarde, sem ninguém a implicar com ninguém. E eu percebi que a minha família não eram as pessoas que eu tinha aguentado até ali.
A minha família eram as pessoas que me viam inteira. Que, por fim, eu era suficiente tal como era. Quando acabei a chávena de café, na véspera de Natal, ainda com o telemóvel mudo em cima da bancada, voltei a pôr os óculos e continuei a educação.